Âncora dos pensamentos

Âncora dos pensamentos

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Bedfordshire, Inglaterra, Reino Unido --- empresário pensativo olhando pela janela no escritório --- Imagem por © 237/Martin Barraud / Oceano / Corbis
Bedfordshire, Inglaterra, Reino Unido --- empresário pensativo olhando pela janela no escritório --- Imagem por © 237/Martin Barraud / Oceano / Corbis
Bedfordshire, Inglaterra, Reino Unido — empresário pensativo olhando pela janela no escritório — Imagem por © 237/Martin Barraud / Oceano / Corbis

O filósofo francês René Descartes escreveu a frase originalmente em latim: (Cogito, ergo sum) “PENSO LOGO EXISTO” ele quis dizer que a certeza da existência é assegurada pela prerrogativa de poder pensar. O pensamento não é fruto do ocaso, ele é constituído de estímulos que geram programas na nossa memória, como tintas que formam pinturas numa tela em branco. Das impressões no início da nossa vida formamos valores e princípios que definem o seu funcionamento, até que cheguem novas impressões que os transformam e manipulam nossas cadeias cognitivas, são essas cadeias e pensamentos que formam nossas crenças que por sua vez definem nossa vida e até mesmo a morte.

Estaremos onde colocarmos nossa atenção, por exemplo, Paulo e Silas, servos de Jesus, tinham seus corpos presos por cadeias e feridos por chibatadas injustas, mas a atenção e os pensamentos deles não estavam enclausurados com seus corpos. Por isso, à meia noite eles cantavam alegremente louvores ao Senhor. A atenção deles estava tão intensamente fora dali que esta realidade metafísica assumiu a física, gerou um terremoto a ponto de as portas abrirem (Atos 16.22-33). Sabemos que essa realidade metafísica foi uma ação do Espírito Santo que domina sobre todo o cosmos; entretanto, foi a fé desses homens exercida, por meio de seus pensamentos, que os levaram ao plano superior espiritual gerador de milagres e os possibilitou andarem acima da dolorosa realidade momentânea.

Realidades momentâneas, dolorosas ou não, cercam seres humanos em todos os momentos, estar preso a essas realidades é uma decisão, amparados no supra explanado entendemos que: O que vemos e tocamos não é o que governa nossa vida, mas sim o que está dentro de nós em nossa mente e coração.

Muitos “livres” aos olhos são presos em essência. E muitos “presos” aos olhos são livres em essência. Este paradoxo é esclarecido facilmente quando olhamos o ser humano de dentro para fora. Uma simples análise à decadência psicológica, vivida nas grandes metrópoles e o superavit de vida vivido nos interiores, nos traz clara evidência deste conceito. Se pegarmos qualquer pessoa no centro de São Paulo, Paris, Tóquio, Nova York e perguntarmos: “Você consegue viver sem estar ansioso por nada?” Consegue passar um dia sem celular? Suporta a vida sem acesso à Internet, TV, veículo motorizado, carne, bacon, açúcar, sal, refrigerante, maquiagem, tênis, sapato, água encanada, luz elétrica, fogão a gás… A resposta será: “Não, não, não nããããããoooooo!” Pois todas essas coisas são boas e prendem os seres urbanizados.

Em contrapartida a isso, se você for ao interior das mesmas nações dessas grandes metrópoles e perguntar aos interioranos se eles podem viver sem essas coisas, eles dirão “sim” a todas. Fica a pergunta: Livres são os seres urbanos com acesso ao mundo globalizado, aeroportos e toda tecnologia possível e imaginável? Ou livres são os interioranos sem acesso a quase nada que conhecemos como bom? Quem vive mais? Quem toma menos remédios? Quem tem filhos depois dos 70 anos de idade? Qual mulher tem mais de seis filhos de parto normal e continua forte? Qual organismo é biologicamente mais resistente a bactérias?

Esta simples análise nos leva a entender de forma prática que construímos dia a dia cadeias para nos prender, dependendo de onde está nossa atenção e premissas de vida; não atinarei a abordar vícios, violências, depressões, homicídios, suicídios e tantas outras cadeias sem “grades” que destroem todos os dias seres humanos ao redor do globo, pois a verdadeira prisão não é a que limita nosso espaço, mas sim a que sufoca nossa alma, pois uma alma livre mesmo que estando em um espaço limitado, pode mudar sua realidade.

No Livro de Lucas encontramos dois ladrões ao lado de Jesus na cruz, um deles continuou preso na alma e no corpo, outro, por sua vez, partindo de seu espaço limitado e corpo dilacerado, construiu um palco para sua ascensão ao paraíso.

“Um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez. E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23.39-41).

Todos nós temos decisões a tomar todos os dias, elas serão a voz e expressão de nossos pensamentos. Como já dito, pensar não é algo involuntário ou ocasional, é tão intenso que chega a ser denominado por alguns grandes pensadores como “a arte de pensar”. Sabendo das implicações e complexidades, devemos nos lançar sem reservas e ancorar nossos pensamentos não em nossos critérios avaliativos, mas sim no PENSAMENTO DE DEUS, pois Ele é detentor da verdade, do poder e da força capaz de nos levar além de nós mesmos.

A âncora é capaz de prender um grande navio debruçado sobre águas bravias, seguro em algo mais profundo, assim deve ser nossa relação com o pensamento de Deus. Mesmo que a vida seja bravia como o mar revolto, se estivermos ancorados Nele (Jesus) viveremos de Suas palavras e pensaremos Seus pensamentos, a vitória em nossa vida diária será consequência dessa práxis. “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16.33).

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