Crise ou oportunidade?

Crise ou oportunidade?

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Crise ou oportunidade?

Em tempos de crise ouvimos muitos conselhos e também diversas frases positivas, tais como: “enquanto os pessimistas choram, os otimistas vendem lenços” ou “quando a vida lhe oferecer um limão, faça uma limonada”. Isso é oportunidade. Em tempos de crise, os cristãos mostram um caminho que não promete resolver os problemas financeiros ou políticos, mas traz um certo alívio: o da salvação em Cristo Jesus. A pessoa sai em busca de solução terrena e acaba encontrando solução eterna para a vida, que é coisa muito mais importante do que ser próspero na Terra.

A mensagem da salvação em Cristo Jesus está acima de conquistas terrenas e muito abaixo do teto que lhe dão. A salvação é simples e clara: aceite Jesus como Senhor da sua vida e oriente-se pelos princípios que Ele ensinou e pronto, independente da crise que se está ou não passando. Aliás, ninguém precisaria chegar ao centro de uma crise para entender isso e mudar de vida.

Há alguns anos reencontrei um amigo de infância que estava interessado em conhecer mais de Deus. O curioso é que ele me disse que sua vida estava maravilhosa, seus relacionamentos, família, filhos, emprego, etc, estavam ótimos. Digo “curioso” porque normalmente as pessoas me procuram para ouvir de Jesus quando estão na lama, quase falindo ou perdendo o casamento, os filhos e a empresa. Esse amigo, não. Ele estava bem e desejou Deus enquanto estava bem, sem influência das necessidades que, por vezes, levam desesperados a procurarem saídas espirituais.

A História, no entanto, demonstra que as pessoas de fato procuram Deus quando estão em crise. Que seja. Independente do período, o mais importante é que elas estão procurando a Verdade. Nos evangelhos, os que procuraram Jesus, em geral, estavam em crise, uns na mente, outros no coração e outros no corpo. Felizmente, Jesus não desprezou (e nem despreza) quem o procurou durante o desespero, afinal, Ele mesmo disse que veio para dar vida aos que estão sem vida (Jo 10.9,10; 14.6).

Por outro lado, estamos nós, os cristãos, pregadores da Palavra, que também vivemos as crises, todavia, com a responsabilidade de não perdermos de vista a missão evangelística. O Brasil já passou por muitas crises financeiras, mas nessa tem os agravantes da falta d’água e energia, além da incapacidade para resolver de imediato inúmeros gigantescos problemas estruturais. Vivemos tempos de “vacas magras” pra todo mundo. Nesse contexto, então, como devem agir os pregadores?

Primeiramente, com o senso de oportunidade aguçado. Mais do que fazíamos no tempo das “vacas gordas”, este é o tempo de dividirmos nosso amor com as pessoas, compartilharmos amizade e repartirmos nossas coisas. Um dos maiores elogios dado aos militares do Exército Brasileiro que fazem parte do contingente da ONU no exterior é que eles dividem até suas marmitas de comida com os habitantes dos países por onde passam. Estão cumprindo o ensinamento de Jesus: “Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem, e quem tiver alimento faça da mesma forma” (Lc 3.11). Chegou a hora de praticar isso com os conterrâneos.

Em segundo lugar, é preciso compartilhar que existe esperança. Depois da tempestade, sempre vem a bonança. Mas é durante as crises que nascem as melhores ideias que simplificam e barateiam a vida. É durante as crises que as pessoas encaram a dura realidade de como, no coração, “as coisas” se tornaram mais importantes do que “as pessoas”, então, mudam de atitude. É tempo de se pregar os valores cristãos que podem dar sentido à vida: a simplicidade, o repartir, o cuidado mútuo, o amor, a compreensão e, claro, a salvação em Cristo Jesus, que nada mais é que a libertação completa da possibilidade do homem passar a eternidade longe de Deus.

Por fim, crise é a oportunidade de colocar em prática a solidariedade e seguir os conselhos de Paulo: “Alegrai-vos com os que se alegram, e chorai com os que choram” (Rm 12.5); e “Tenho vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário socorrer os enfermos, recordando as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (At 20.35). Pois, “tudo o que o homem semear, isso também colherá” (Gl 6.7). Sou otimista e nunca deixarei de ser.

Não vendo lenços e nem limonadas, no entanto, gratuitamente distribuo conselhos da Bíblia, na certeza de que Deus está do lado daqueles que caminham segundo os Seus conselhos e que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que O amam (Rm 8.28). A propósito, aqui vão mais alguns conselhos: “abre os braços aos pobres, e estende as mãos aos necessitados, pois quem se compadece do pobre empresta ao Senhor, e ele lhe recompensará o beneficio” (Pv 31.20; 19.17). Quem assim não faz, terá consequências: “O que tapa o seu ouvido ao clamor do pobre, também clamará e não será ouvido” (Pv 21.13). Crise é oportunidade para amar e servir aos nossos semelhantes.
Pr. Atilano Muradas

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