Fábrica de gente

Fábrica de gente

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“Família é fábrica de gente”, define Gilda Franco Montoro, uma das escritoras do livro “Um olhar sobre a família”. Esta é uma definição simples, porém, interessante e muito, muito verdadeira. As famílias fabricam pessoas, fabricam cidadãos, fabricam futuros esposos e esposas, pais e mães. As famílias fabricam gente com todos os tipos de estrutura – física, moral, espiritual, emocional e psicológica.

É na família que tudo começa. Aprende-se a ser honesto, trabalhador; aprende-se a ser esposo e pai, a ser esposa e mãe, a ser cidadão e cidadã. A partir dos exemplos que se vê é que o caráter das pessoas vai se formando. Na criança, essa formação ocorre, principalmente, até os 7 anos. Dos 7 aos 11, alguma coisa mais apenas se acrescenta. Após os 12 anos é preciso que Deus comece a fazer milagre.

Já conheci fábrica de gente com mãe que se fingia de morta, com mãe que entregava os filhos para as babás criarem (incluindo noites, fins de semana e feriados), com pai ausente na criação dos filhos, com pai que abandonou a família. E já conheci “sobreviventes” – termo usado na psicologia para definir as pessoas que dão certo, apesar da “fábrica” de onde vieram.

A Bíblia também traz exemplos, como o do sacerdote Eli e do rei Davi. De cujas “fábricas” saíram filhos extremamente insubmissos. Esses são fatos tristes sobre fábrica de gente, que, infelizmente, existem em grande número.

Toda família comete erros, todos os pais e mães cometem erros. Entretanto, há erros que deixam marcas indeléveis, que para sempre deixarão sequelas. Causarão tantos danos que os produtos sairão das fábricas com defeitos de fabricação difíceis de serem reparados.

Mas graças a Deus existem fábricas de gente muito melhores, com bons e excelentes resultados de produção. Como este a Bíblia também traz exemplos, um dos melhores é o de Eunice, que, mesmo casada com um descrente, “produziu” o pastor Timóteo, no livro de 2 Timóteo. Há algum tempo ouvi uma narrativa sobre um pai, porteiro de um prédio, sobre sua “fábrica”. Dois filhos e duas filhas foram criados numa das comunidades do Rio de Janeiro. Apesar das dificuldades para criar os filhos naquele meio, todos cresceram, se tornaram bons cidadãos, e também construíram suas “fábricas”. Quando indagado, revelou o segredo: muita conversa, limites e sua presença constante e amiga de pai.

Diante dos fatos torna-se necessário refletir: Que tipo de fábrica é a nossa? Que tipo de gente ela fabrica?

::Gilson Bifano

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