Nas mãos do Agricultor

Nas mãos do Agricultor

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Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. João 15.1

“Eu não acredito que esta é a mesma videira de quatro meses atrás”: disse uma amiga que veio em minha casa em dezembro. Ela esteve aqui em agosto quando só se via um emaranhado de ramos torcidos e sem folhas. Na ocasião, preocupada perguntou se a videira tinha morrido. Respondi que não, que era tempo de poda, tempo de tirar todas as folhas e alguns galhos. Tempo que a aparência era de morte, mas a seiva estava intacta lá dentro. Desconfiada, minha amiga, mudou de assunto.

O tempo passou, os brotos brotaram, vieram com eles as folhas e os pequenos cachos. O tempo passou mais um pouco e o que era pequeno cresceu, enrubesceu e tornaram-se grandes cachos de uvas que alegram toda a casa com seu perfume típico. Eis, novamente, a linda e exuberante videira!

Às vezes, também me sinto assim: como um ramo aparentemente seco. Os sonhos estagnados, os alvos do princípio do ano a uma distância galáctica, os projetos ministeriais enfraquecidos. Um tempo que a aparência é de morte. O que fazer? Desistir?

Desisti de me olhar através da minha alma. Busco-me no reflexo do olhar de Cristo ainda pregado na cruz. Ali Ele também tinha o aspecto de morte, como um ramo seco. Não se via a beleza das palavras dos grandes discursos. O que Ele exibia eram espinhos na cabeça e o corpo nu, rasgado pelos açoites. A poda de Deus. O tempo passou e o que era a aparente morte cedeu à ressurreição e o que parecia ser o fim tornou-se o início da vida. Nasceu daquele galho seco, o fruto capaz de saciar a fome e sede de toda a humanidade.

Olhando naquela cruz entendo que o tempo da poda acontece, ele é necessário. Que preciso crer que a vida está lá dentro, o tempo todo. Saber que no tempo certo os frutos Dele surgirão em mim e que minha função e expandir o alcance da Videira. Afinal, Ele é a Videira e eu sou apenas um raminho.

Depois de admirar, minha amiga comeu uvas doces e se alegrou. Deus Também se alegrou quando pôde nos ver através de Seu Filho na cruz: O fruto do seu penoso trabalho. A vida continua… Ano que vem tem mais poda e, certamente, novos frutos.

Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si. Isaias 53.11

::Nilma Gracia Araújo

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