O desafio do crescimento integral

O desafio do crescimento integral

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O desafio do crescimento integral

Pouco se sabe sobre a infância de Cristo, mas ficou registrado que o seu crescimento era pleno e saudável (Lc.1.80; 2.40). O desenvolvimento humano precisa ser físico, intelectual, social, emocional, espiritual. O crescimento parcial pode ter consequências ruins. As atrofias mais evidentes são físicas e mentais. Entretanto, existem outras, tais como: teoria sem prática; fé sem obras; trabalho sem conhecimento; conhecimento sem caráter; riqueza sem prudência; poder sem amor; autoridade sem sabedoria ou zelo sem entendimento (Tg 2.26; Rm 10.2). Algumas dessas combinações podem ser tão perigosas quanto aceleração sem freio. De situações assim podem surgir o radicalismo e os abusos de toda sorte.

O problema se agrava porque alguns tipos de crescimento causam orgulho, arrogância e uma ilusória satisfação, dificultando cada vez mais o desejável equilíbrio. O resultado pode ser o fracasso. Por isso, a Bíblia apresenta requisitos para a nomeação de líderes, procurando evitar que a ascensão hierárquica seja incompatível com as condições pessoais (1Tm 3.5-6). Precisamos crescer em vários aspectos e não apenas em um.

É fácil reconhecer a importância do crescimento, mas não devemos pensar que ele aconteça naturalmente ou por acaso. Assim como o corpo precisa do alimento para crescer, o mesmo ocorre nos demais aspectos do ser humano, cuja “alimentação” envolve dedicação e investimentos de vários tipos, primeiro da família, depois do indivíduo.
Um fator muito importante neste assunto é o tempo. Os pais sempre avaliam o crescimento dos filhos em função da idade. Existe uma expectativa proporcional ao tempo. Não é razoável que alguém seja velho e imaturo, mas é possível, principalmente nas questões de fé.

Embora não possamos determinar prazos rígidos para a apresentação de certos resultados, a Bíblia nos dá alguns exemplos que podem servir como parâmetros. Aos 12 anos, Jesus já estava preparado para discutir com os doutores da lei (Lc 2.46). Sua divindade não nos serve como argumento de escape, pois todo judeu deve ser conhecedor da lei por volta da mesma idade. Por extensão, concluímos que as crianças e jovens cristãos têm o dever de crescer no conhecimento da Palavra de Deus e não apenas na cultura mundana que se busca com tanto afinco.

Em alguns casos, o crescimento conduz às posições de liderança. Quanto tempo será necessário para a formação de um líder? É difícil determinar, mas vejamos alguns exemplos: Daniel e seus amigos, depois da formação judaica padrão, foram preparados durante 3 anos para serem assessores do rei Nabucodonosor (Dn 1.5). No mesmo prazo, foram formados os apóstolos de Cristo. Este foi o tempo aproximado entre o “vinde” e o “ide” (Mt 4.19; Mt 28.19). Portanto, com 3 anos de conversão, é possível e desejável que o crente jovem ou adulto tenha lido toda a Bíblia, esteja cheio do Espírito Santo e pronto para exercer um ministério de acordo com o dom que Deus lhe deu.

Valorizamos muito o progresso físico, profissional e patrimonial, mas não podemos nos esquecer do crescimento espiritual. Jesus disse: “De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma”? (Mt 16.26). Por isso, é importante a conversão, o conhecimento bíblico e a dedicação a Deus.

O Senhor estabeleceu a igreja e os ministérios para nos ajudarem nessa jornada:

“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulentamente. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Ef 4.11-15).

Existe o crescimento exterior e o interior. Um se refere à forma; o outro, ao conteúdo. A construção de uma casa grande e bonita pode trazer satisfação. Contudo, se ela permanecer vazia, será inútil, ainda que tenha valor. Assim também, muitas pessoas crescem em vários aspectos. Depois, encontram-se grandes, porém vazias. Tal é a situação daqueles que crescem apenas aos olhos dos homens, mas não aos olhos de Deus.

Certa vez, Jesus contou uma parábola acerca de um homem rico, cuja lavoura produziu em abundância. Então, resolveu derrubar seus celeiros e construir outros maiores. Em seguida, disse à sua alma: “come, bebe e folga”. Mas o Senhor lhe disse: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será”? (Lc 12.16-21). Aquele fazendeiro era visionário e bem-sucedido, mas não cuidou do seu crescimento espiritual. Chegando o dia de partir para a eternidade, não estava preparado.

Cada um de nós precisa avaliar-se a si mesmo. Em que aspectos estamos crescendo? Em quais temos sido negligentes? O desejo de Deus é o nosso crescimento integral, mas, sobretudo, o crescimento espiritual, pois este se relaciona aos valores eternos.

::Pr. Anísio Renato de Andrade

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