O saco furado

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O saco furado

“Tendes semeado muito, e recolhido pouco; comeis; porém, não vos fartais; bebeis, porém, não vos saciais; vesti-vos, mas ninguém fica quente; e quem recebe salário, recebe-o para colocá-lo num saco furado” (Ageu 1.6)

Quando ainda era menino, em certa ocasião, saí com uma quantia em dinheiro para comprar algo no supermercado para a minha mãe. Coloquei o dinheiro no bolso e, obviamente, contava com ele na hora de pagar aquela compra, mas não o encontrei. Revirei o bolso várias vezes à sua procura e não o achei, até que me dei conta de que havia um furo num dos cantos daquele bolso.

Como é triste contar com as suas reservas e descobrir que elas já não existem mais. Este é um exemplo do que acontece com quem não deixa Deus ser O primeiro em sua vida (e em suas finanças).

Uma das principais razões da falta de prosperidade financeira é abordada na Bíblia como tendo a sua raiz no egoísmo e na falta de sensibilidade para com o que deve ser feito em prol da Casa e do Reino do nosso Deus. Se, por um lado, a Lei das Primícias nos conduz à bênção por colocarmos Deus em primeiro lugar, por outro lado, deixá-Lo por último, como a parte menos importante de nossas vidas, traz maldição. E isto é algo que tem acontecido a muitos cristãos em nossos dias. O verdadeiro problema deles não é a falta de oração por prosperidade, mas uma verdadeira inversão de valores.

Vemos nos dias do profeta Ageu que o povo que voltou do cativeiro babilônico se encontrava sem disposição alguma de reedificar o Templo do Senhor. Eles davam desculpas a respeito de sua responsabilidade, mas, ao mesmo tempo, edificavam as suas próprias casas para o seu próprio conforto. E Deus protestou contra isto: “Assim fala o Senhor dos Exércitos: Este povo diz: Não veio ainda o tempo, o tempo em que a Casa do Senhor deve ser edificada. Veio, pois, a palavra do Senhor, por intermédio do profeta Ageu, dizendo: Acaso, é tempo de habitardes vós em casas apaineladas, enquanto esta casa permanece em ruínas?” (Ageu 1.2-4).

Muitas pessoas passam toda a sua vida pensando unicamente em si mesmas, sem se disporem a fazer nada para Deus. Trabalham somente pelo seu conforto e fazem tudo para estarem em tranquilidade, mas não conseguem se dispor para servirem a Deus.

Muitas vezes não entendemos que, enquanto estamos correndo atrás de nossas próprias coisas, o Senhor está esperando algo diferente de nós. Foi o que Deus disse ao Seu povo por meio do profeta Ageu: “Subi ao monte, trazei madeira e edificai a casa; dela me agradarei e serei glorificado, diz o Senhor” (Ageu 1.8).

Deus protestou contra a atitude do povo e demonstrou esperar que eles se envolvessem em Sua obra. Ele revelou também que a razão de não estarem prosperando (pelo contrário, viam os seus bens e provisão desaparecendo misteriosamente) era o fato de não se importarem com a edificação da Sua Casa.

Muito esforço e pouco resultado! Falta de realização na dimensão de conquistas alcançadas! Insuficiência! Tudo isto era visto na vida do povo hebreu dos dias do pós-exílio babilônico. Houve também a mais contundente afirmação sobre inexplicáveis perdas materiais e financeiras: o saco furado (outras versões usam o termo “saquitel”). Mesmo o que tentavam guardar ou economizar sumia como se houvesse sido depositado num saco furado. Vazava como areia seca por entre os dedos. Como acontece com muitas pessoas hoje.

O saco furado

Estes não eram apenas sintomas de um momento de crise econômica, e sim de uma ausência da bênção do Senhor. Precisamos aprender a edificar com a bênção de Deus. Fazer algo sozinho ou debaixo da graça do Pai Celestial são coisas completamente diferentes: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois aos seus amados ele o dá enquanto dormem” (Salmos 127.1,2).

Embora o trabalho seja um meio de provisão, o qual Deus usa para suprir os Seus filhos, fica clara a diferença entre quem alcança algo sozinho e quem o faz com a bênção do alto.

Deus nunca quis que o homem tivesse a presunção de alcançar a prosperidade sozinho. Esforço e trabalho produzem resultados, mas isso somente não nos leva ao melhor de Deus. Quando quebramos princípios (como o povo fez nos dias de Ageu), além de não entrarmos na bênção divina, ainda produzimos o efeito inverso: atraímos sobre nós a maldição. O profeta Malaquias, contemporâneo de Ageu, também anunciou o mesmo tipo de juízo: “Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda” (Malaquias 3.8,9).

A maldição vem por não darmos a Deus a primazia, assim como a bênção vem pelo fato de O colocarmos em primeiro lugar. E você, em que lugar tem colocado Deus em sua vida e finanças?

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