Viver e não apenas existir

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Viver e não apenas existir

Pedro trabalhou por trinta anos operando uma empilhadeira numa grande empresa. Todos os dias se levantava na mesma hora, comia as mesmas coisas no café da manhã, fazia o mesmo trajeto de casa até o trabalho, parava na mesma hora para almoçar, retornava para casa na mesma hora, assistia aos mesmos programas de televisão, dormia sempre no mesmo horário.

Seu sonho era a aposentadoria. Depois que a alcançou, sua realização era ficar de pijamas em casa, ver televisão, ouvir música e olhar a vizinhança pela janela. Para Alexandre esta trajetória de existência seria um tédio. Alexandre está acostumado a acordar cedo, nem tomar café direito, pois já está atrasado, sair correndo para o trabalho e ficar duas horas no trânsito. Além disto, tem um dia agitado com muitas reuniões, um rápido lanche na hora do almoço, mais duas horas de trânsito para retornar para casa ou ir para um curso. No fim da noite, um tempo para atualizar o Facebook, responder todos os e-mails que sobraram do trabalho e cair exausto na cama, já de madrugada.

Apesar de Pedro e Alexandre terem estilos de vida completamente opostos, os dois apenas sobrevivem. Ano após ano a rotina se repete e a vida vai passando. Seria uma ousadia chamar isso de “vida”, pois eles apenas “alimentam sua existência”. Muitas pessoas ficam inconformadas com o estilo repetitivo de vida de Pedro, que passou sua existência toda fazendo a mesma coisa e agora espera a morte.

No entanto, para fugir da mesmice conseguimos criar um ritmo de vida tão louco e agitado, que não temos tempo para mais nada a não ser manter a rotina repetitiva do ativismo, como no caso de Alexandre.
Carlos Drummond de Andrade afirmou que: “Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante tudo vai ser diferente.” No entanto, parece que tudo continua igual.

Um novo ano deveria servir para pararmos e pensarmos no propósito para o qual Deus nos criou. Por que e para quê nos permitiu viver neste tempo e nesta geração. Que tipo de missão quer nos dar, de que forma quer lapidar nossa vida para depois usá-la para influenciar outros.

Poderíamos viver sem contar os dias, meses e anos. No entanto, parece que Deus permitiu que isso fosse criado para pensarmos em novos propósitos, abandonarmos a rotina e descobrirmos nosso senso de missão. Sua vida pode ser calma como a de Pedro ou agitada como a de Alexandre, mas a questão principal é se você está vivendo ou apenas existindo.
Viver implica em ter um senso de missão acima da rotina. Implica em quebrar a rotina quando ela não nos permite executar a missão. Implica em dar uma guinada de vida, quando as coisas estão sem sentido. Existir implica apenas em criar uma rotina, alimentá-la ao longo dos anos, dizer que a vida está dura e que você não tem tempo para nada.

Planejar o ano e encher a agenda de coisas que você sempre fez e que apenas se repetirão no novo ano, é alimentar a rotina da sobrevivência. Viver talvez seja aproveitar o início de cada ano para pegar uma folha de papel em branco e responder a uma pergunta de maneira criativa: “O que é impossível eu fazer hoje, mas se fosse possível mudaria o que faço e ajudaria a cumprir minha missão de vida?”

:: Pr. Josué Campanhã

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